A propriedade industrial acompanha a atividade econômica, a criação de novos negócios, a inovação tecnológica e as mudanças nos procedimentos públicos. Observar os dados oficiais ajuda a compreender o cenário, desde que percentuais gerais não sejam transformados em previsão para um processo individual.
O que mostram os dados recentes do INPI?
No boletim com referência a agosto de 2026, o INPI comparou o acumulado do ano com o mesmo período de 2025. Os depósitos de patentes cresceram 18,6%, enquanto os depósitos de marcas apresentaram redução de 18,0%.
No mesmo comparativo, as concessões de patentes cresceram 0,4% e os registros de marcas, 167,9%. Esses movimentos podem refletir tanto a demanda de novos pedidos quanto o ritmo de análise de processos já existentes. Portanto, não indicam que registrar ficou automaticamente mais fácil ou que uma solicitação será aceita.
Marcas: atividade forte e competição por sinais
A publicação internacional IP Facts and Figures 2025, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual — OMPI, utiliza dados completos de 2024. Entre as principais origens analisadas, os pedidos de marca de depositantes brasileiros apresentaram o crescimento mais robusto, de 10,4%.
A OMPI também apontou intensidade relevante de pedidos de marca no Brasil em relação ao Produto Interno Bruto. Para o empreendedor, o dado reforça uma realidade prática: há grande movimentação de novos sinais, e a pesquisa de anterioridade precisa observar não apenas nomes idênticos, mas semelhanças e proximidade entre atividades.
O número de pedidos não substitui a análise de registrabilidade. Uma marca pode encontrar obstáculos mesmo em um mercado em expansão, especialmente quando o nome é descritivo, pouco distintivo ou próximo de direito anterior.
Patentes: crescimento exige leitura técnica
O aumento de 18,6% nos depósitos de patentes até agosto de 2026 mostra maior volume de pedidos no comparativo anual utilizado pelo INPI. Isso amplia o acervo técnico disponível e reforça a relevância das buscas de anterioridade.
Documentos de patente servem não apenas para verificar possíveis obstáculos, mas também para conhecer soluções publicadas, compreender o estado da técnica e identificar como uma criação se diferencia. A busca, contudo, não garante patenteabilidade nem elimina documentos que possam aparecer posteriormente.
O INPI distingue a patente de invenção, ligada a produtos ou processos que atendam aos requisitos aplicáveis, e o modelo de utilidade, relacionado a objeto de uso prático com nova forma ou disposição e melhoria funcional. A classificação depende da matéria, não do nome que o criador atribui ao projeto.
O que esse cenário significa para os negócios?
- Marcas: pesquisar cedo reduz o risco de construir identidade sobre um nome que encontrará obstáculos.
- Classes: a estratégia deve acompanhar os produtos, serviços e planos concretos do negócio.
- Patentes: preservar o sigilo antes da divulgação continua sendo uma cautela importante.
- Monitoramento: acompanhar publicações e movimentações faz parte da gestão do ativo.
- Orçamento: honorários profissionais, taxas oficiais e novos escopos precisam ser distinguidos no planejamento.
Por que a data da informação importa?
O INPI divulga boletins mensais e atualiza classificações, manuais, listas e procedimentos. Uma orientação válida em determinado momento pode precisar ser conferida antes do protocolo. Por isso, páginas institucionais devem indicar a fonte e a data do recorte estatístico.
Este panorama foi atualizado em 23 de setembro de 2026 e utiliza o boletim do INPI com dados até agosto de 2026, além da publicação da OMPI divulgada em 2025 com estatísticas completas de 2024.
Quer avaliar uma marca ou invenção específica?
Os indicadores explicam o mercado. A estratégia começa quando o ativo e os objetivos do negócio são compreendidos individualmente.
